
Tenho alguma dificuldade em lidar com o conceito de casa do futuro. De certa forma, existe uma preocupação excessiva em mudar e inovar. Não tenho nada contra a mudança ou a inovação, note-se. Muito pelo contrário. Apenas resisto à ideia de pensar em intervenções no âmbito do design como um espaço de antecipação, onde se vive um tempo que não existe, que ainda não chegou. Acredito que um espaço não pode viver suspenso, à espera desse tempo.
Tenho consciência de que, à primeira vista, esta opinião pode parecer conservadora. Permito-me discordar. Conservadores são os que resistem à mudança. E não é disso que aqui se trata. Concebo uma casa como um espaço de liberdade. E se assim é, esse espaço tem de estar apto ao que der e vier. Tem de lá caber de tudo. Passado e futuro. Só passado. Só futuro. O que for. Tem é de oferecer essa liberdade única de escolher o presente. A vocação de uma habitação não é, por isso, antecipar o futuro. Ela não deve ter como preocupação essencial o tempo. Quanto mais se preocupar com o tempo, mais comprometido fica o espaço. E menos livre.
As propostas que me desafiam procuram acentuar esta dimensão de liberdade. Apontam no sentido de uma casa efémera, ponto intermédio entre o que foi e o que vai ser. Esforço derradeiro de preservar o que veio e agarrar o que vem. Chão, tecto, paredes e luz, eixos fundamentais da habitação, devem permitir uma geometria variável, que diariamente se acomode aos avanços e pausas das nossas vontades. Não existe - não pode existir - uma combinação única de compartimentos estanques. Acaso a nossa vida corre sempre igual, ao mesmo ritmo? Os nossos encontros, sentimentos, amores, toques, paixões ou ódios evoluem na mesma direcção? Podemos alguma vez atingir um estado de coerência total e definitivo?
As propostas do futuro procuram, por isso, proporcionar um espaço de combinações variadas que reflictam as constantes mutações da nossa vida. Que guarde as memórias e as saudades. Que encontre suporte para as músicas e vícios antigos. Que não afugente o que queremos guardar de nós. E dos outros. E das nossas imagens. Mas esse espaço tem de estar apto a deixar fluir os devaneios do momento. Tem de reflectir a cor e a vontade. Tem de sucumbir aos caprichos e às necessidades. Tem de ter espaço para o que tiver de ser. Ou para o que não tiver de ser. Ou para ambos. E claro, as essas propostas não se atrevem – nem tentam – comprometer o que aí vem. O futuro. Um espaço de liberdade acolhe esperanças e expectativas. Dá lugar aos sonhos. Permite chamá-los e cumpri-los. Não atrapalha desafios nem se transforma em obstáculo ou resistência. Um espaço como este não esquece nunca, absolutamente nunca, que o tempo não serve para nada. Mas a liberdade sim.
Tenho consciência de que, à primeira vista, esta opinião pode parecer conservadora. Permito-me discordar. Conservadores são os que resistem à mudança. E não é disso que aqui se trata. Concebo uma casa como um espaço de liberdade. E se assim é, esse espaço tem de estar apto ao que der e vier. Tem de lá caber de tudo. Passado e futuro. Só passado. Só futuro. O que for. Tem é de oferecer essa liberdade única de escolher o presente. A vocação de uma habitação não é, por isso, antecipar o futuro. Ela não deve ter como preocupação essencial o tempo. Quanto mais se preocupar com o tempo, mais comprometido fica o espaço. E menos livre.
As propostas que me desafiam procuram acentuar esta dimensão de liberdade. Apontam no sentido de uma casa efémera, ponto intermédio entre o que foi e o que vai ser. Esforço derradeiro de preservar o que veio e agarrar o que vem. Chão, tecto, paredes e luz, eixos fundamentais da habitação, devem permitir uma geometria variável, que diariamente se acomode aos avanços e pausas das nossas vontades. Não existe - não pode existir - uma combinação única de compartimentos estanques. Acaso a nossa vida corre sempre igual, ao mesmo ritmo? Os nossos encontros, sentimentos, amores, toques, paixões ou ódios evoluem na mesma direcção? Podemos alguma vez atingir um estado de coerência total e definitivo?
As propostas do futuro procuram, por isso, proporcionar um espaço de combinações variadas que reflictam as constantes mutações da nossa vida. Que guarde as memórias e as saudades. Que encontre suporte para as músicas e vícios antigos. Que não afugente o que queremos guardar de nós. E dos outros. E das nossas imagens. Mas esse espaço tem de estar apto a deixar fluir os devaneios do momento. Tem de reflectir a cor e a vontade. Tem de sucumbir aos caprichos e às necessidades. Tem de ter espaço para o que tiver de ser. Ou para o que não tiver de ser. Ou para ambos. E claro, as essas propostas não se atrevem – nem tentam – comprometer o que aí vem. O futuro. Um espaço de liberdade acolhe esperanças e expectativas. Dá lugar aos sonhos. Permite chamá-los e cumpri-los. Não atrapalha desafios nem se transforma em obstáculo ou resistência. Um espaço como este não esquece nunca, absolutamente nunca, que o tempo não serve para nada. Mas a liberdade sim.

2 comments:
ESSE LAYOUT TA MUITO LINDO!
Vim ter qui por conciência ou por inerência. O homem sempre andou atrás do mesmo... podes procurá-lo na história da arquitectura. Quando a técnica permite a concepção livre do espaço os arquitectos concebem a "planta livre", onde não há paredes, não há limites. Mas também te digo que a completa adaptabilidade não existe e por vezes somos mais livres no espaço espartilhado da casa dos nossos pais, provavelmente dos teus avós...Paradoxo? Como tudo.
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